A 19 de Julho de 1987 fechava-se o ciclo de transferência dos votantes no PS, iniciado dois anos antes: em 1985, quase metade do tradicional eleitorado socialista havia trocado o seu voto histórico pela aposta no “desconhecidoâ€?, votando PRD; agora, esses votos eram (praticamente na Ãntegra) transferidos para o PSD.
Que, reduzindo igualmente o CDS à sua mais “Ãnfimaâ€? expressão, conquistando-lhe também cerca de 2/3 do eleitorado, alcançava uma histórica maioria absoluta de um só partido.
Cavaco Silva e o PSD atingiam uma votação (até então) inédita em democracia para um partido europeu, acima da barreira dos 50 %, subindo de 88 para 148 deputados (praticamente 60 % do total do hemiciclo), uma surpreendente e esmagadora “maioria (quase) impossÃvelâ€?, fruto de uma palavra de ordem essencial, repetida até à exaustão durante a campanha eleitoral: “estabilidadeâ€? (depois de 13 anos de sucessivos governos que quase nunca ultrapassaram uma vida de 2 anos).
O PS, agora liderado por VÃtor Constâncio, buscando um inÃcio de recuperação (que ainda viria bastante longe no tempo…) não conseguia melhor que subir de 20,8 % para 22,2 %, praticamente estabilizando em número de deputados (de 57 para 60), com a magra consolação de, definitivamente, se afirmar como única “grande força” à esquerda.
A coligação liderada pelo PCP, cuja denominação – adaptando-se aos “novos temposâ€? – passou de APU – Aliança Povo Unido para CDU – Coligação Democrática Unitária (tendo como novo parceiro o PEV – Partido Ecológico Os Verdes) -, continuava o seu percurso descendente, de 15,5 % para 12 % e com mais um importante “corteâ€? no número de deputados eleitos (de 38 para 31).
O “meteórico� PRD, não obstante liderado pessoalmente pelo próprio Ramalho Eanes, apenas a custo sobreviveria ao “furacão� que ele próprio havia provocado, penalizado pela iniciativa que originara a queda do governo (uma moção de censura “incompreendida� pela opinião pública): baixou o seu número de votantes de mais de um milhão para menos de 280 000, caindo de 18 % para menos de 5 % e reduzindo a sua representação parlamentar, de 45 para apenas 7 deputados.
Nas eleições seguintes, levando ao extremo a evidente ausência de coesão e consequente pulverização do seu eleitorado, “desapareceria� por completo do mapa parlamentar, até acabar por ser extinto.
A “vaga de fundo cavaquista� quase submergia por completo o CDS, agora sob a liderança de Adriano Moreira, reduzido a apenas 4 % dos votos e com o grupo parlamentar do “táxi�, formado por apenas 4 deputados.
[1993]